Da semana

""Leio os jornais para saber o que eles estão comendo, bebendo, e fazendo. Quero viver muito para ter tempo de matar todos eles."" - O Cobrador de Rubem Fonseca

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Homem que amava as mulheres



Ótimo monólogo do filme do francês Truffaut.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Das manhãs

Foi por entre o forte cheiro de café, no meio das cascas de pão que preenchiam a mesa e ao redor do som das notícias espalhadas pelo rádio que eu percebi. O dia lentamente acordava, quando Aline chegou-se para sentar à mesa, ao meu lado. Trazia com ela a cara de sono, as leves olheiras brotando por baixo dos olhos castanhos claros, e o seu corpo vestia uma das minhas camisetas – que nela tornava-se larga o suficiente, confortável o suficiente. Toda descabelada, as pernas finas agora se ajustavam à cadeira. Sorrindo como se fosse para sempre, ela pegou a faca e lentamente a passou no pote de margarina , em seguida a atravessou em um pedaço de bolo de laranja. A mesa do café até que estava farta. Eu só observava. As cascas de pão doce e as notícias sobre roubo de carros sumiam, quando ela me encarava em tom doce-jocoso, ou brincava com o meu cabelo recém lavado do banho. Assim desse jeito descabelada, com olhar cansado e sincero, assim com o sorriso de quem só quer estar ali, puxando minha mão toda hora, eu sequer pensava nas oito horas de trabalho, nos colegas chatos, nos dois ônibus que teria que tomar. Eu simplesmente não queria sair daquele momento. Talvez tenha sido apenas o efeito da sua mordida no bolo de laranja, mas meu joelho arrastou-se para o chão, e lá pelas oito e pouco da manhã de uma segunda-feira, por entre o cheiro de café, por entre as cascas de pão, por entre as notícias ruins do noticiário, por entre o piso frio da cozinha, eu pedi a mão de Aline – ou os olhos cansados, o sorriso sincero, o jeito de passar a margarina no bolo – em casamento.

domingo, 15 de novembro de 2009

assim mesmo




Só queria dizer que é bom saber que mesmo com oceano duas horas de diferença do fuso horário frio/calor sol/ chuva dúvidas/certeza o sorriso e a felicidade absolutamente não mudaram

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Meu bom momento

HEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEY, Tom Wolfe está vindo para Porto Alegre na próxima segunda-feira para participar da última edição deste ano do projeto Fronteiras Brasken do Pensamento. O encontro acontecerá no Salão de Atos da UFRGS a partir das 20h.

Quando eu for velho também quero ter uma bengala. e ser estiloso assim.

Depois do parágrafo explicativo é com muita felicidade que matarei uma cadeira lá no Vale (cadeira que não posso mais matar, aliás, mas vou conversar com o professor) para ver o escritor norte-americano daqui quatro dias. E melhor ainda, vou à entrevista coletiva que ele concederá às 17h, antes da palestra. Imagina, há cerca de seis meses nem sonhava em ver Tom Wolfe por essas bandas, agora tenho a chance de fazer uma pergunta para ele.

Isto é, acho que não arriscarei em fazer uma pergunta, já estou plenamente satisfeito em acompanhar a cobertura. Só a chance de observar o velho jornalista escritor falar sobre o Espírito do Nosso Tempo (o tema do seminário) já ta valendo.

E isso tudo é a cereja sob o bolo que é o meu estranho bom momento no jornalismo. Eu que sempre relutei em me aceitar nas condições de um jornalista, vejo-me cada vez mais nesse mundo e cada vez mais sendo sugado por ele. E estou gostando. Serei eu uma espécie de ser depreciativo que acaba gostando de sofrer pelos prazos?

Não sei, mas concordo com a minha professora Márcia Benetti, quando ela disse recentemente que jornalismo não é apenas uma profissão, mas um estilo de vida. Você não consegue sair do seu trabalho, e desligar-se completamente do jornalismo, uma vez que o material bruto da nossa profissão é justamente o que acontece no mundo. Somos jornalistas em tempo integral, a toda hora pensando na sua pauta e no que pode fazer para melhorar aquele texto.


E pior: nós gostamos disso.

domingo, 8 de novembro de 2009

A girar - postagem temática


Ninguém se dá conta, mas a chuva é talvez o único fenômeno da natureza que pode petrificar, ou consolidar momentos. Um dia ensolarado acaba, assim como uma noite cheia de estrelas: esses tempos têm horas contadas para existir, mesmo que depois surjam novamente. A chuva não. Ela não tem prazo de validade; pode aparecer durante o dia e durar até o fim da noite, e continuar. Ninguém comanda a chuva e nem há hora marcada para a precipitação. Fora que ela inspira alguma sensação que o corpo reconhece de imediato, é claro. Uma vez que a a água é uma balizadora, a fonte da vida, a substância química mais importante do nosso corpo. Ela acaba atraindo os nossos pensamentos mais profundos. Talvez por isso você fique com aquela sensação melancólica doce quando a chuva fina começa a bater na janela do seu quarto. Essa sensação sempre me pega. É a chuva te lembrando que é possível ser eterno, é a chuva que marca os momentos mais importantes. É ela que consolida o nosso tempo, o tempo de cada um. É por isso que eu desejo sempre ótimos dias com chuvas. Você nunca sabe o que esperar. Pode ser que dure para sempre. Que maravilha, né?


Sugestão: Top 5 (fazer um top 5 sobre o assunto que você escolher)


Essa postagem faz parte do Blogsintonizados


Entre lá e participe você também.

sábado, 7 de novembro de 2009

As pequenas coisas

Você vai cuidar de mim quando eu tiver amigdalite pela quarta vez durante o ano? Vai aguentar as minhas tosses alérgicas quando chegar a primavera? As minhas reclamações do fato de eu não poder comer camarão, quando todo mundo naquela janta especial estiver comendo? O fato de que algumas árvores, como a Aroeira, me trazerem erupções de pele? E do pêlo do gato irritar meu nariz, apesar de eu gostar de gatos?

Você vai?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

sim

Aí eu entrei no elevador e te encontrei de novo.

Você estava de azul

e com aquela meia listrada

que compramos juntos.


Faz uns dois anos?


Daí eu larguei a minha mão

e deixei meu corpo quieto.


Daí eu virei os olhos e reparei

que você não estava mais lá.


Saí do elevador caminhei oito quadras

por oito caminhos diferentes

cheguei em minha casa,


e dormi.


sábado, 31 de outubro de 2009

Teoria número vinte e dois: sobre a música certa e todo o seu destino

Muito cuidado com as primeiras músicas que você mostra para uma pessoa que está recém conhecendo. Ou melhor, para deixar mais claro, vamos pegar a primeira canção que você apresentará para esse indivíduo. Ela dirá muito sobre você, e sobre a futura relação que terá com ele.

É verdade, servirá como fundo musical durante todo o tempo que conviverão juntos. Ou até para frente. Daqui a alguns anos, mesmo que vocês nem se falem mais, provavelmente se a música tocar enquanto ela estiver em um bar, com certeza lembrará de algumas coisas – se você fez a escolha de música correta, importante frisar isso.

A verdade é que a primeira música trata de traçar um perfil da pessoa também, vamos construindo a visão dela em nossa mente. É um modo de conhecer os seus interesses, de conhecer sua cultura e também, por que não, as suas tradições.

De certa forma, a primeira música pode abrir, ou fechar portas para milhares de possibilidades, interferindo, desse modo, no nosso destino. Eu sempre penso muito bem antes de mostrar para uma pessoa alguma música (ainda mais se estou a recém conhecendo): isso pode mexer com todo nosso futuro.

E isso me leva a perguta cretina, que a maioria de vocês não vão responder aqui: Com que música você se apresentaria?

Crônicas de um repórter novato - parte X

Será que o quanto mais subimos no Jornalismo mais chata fica a profissão? Quando nos tornamos editores a responsabilidade fica muito maior, além de você ter que participar de inúmeras reuniões, fechar a edição, muitas vezes trabalhar em fim-de-semanas e em feriados..e o mais chato de tudo: não escrever tanto quanto era repórter.


E isso é o que mais me atrapalha.


Já que eu entrei nessa profissão porque gostava de escrever (lembrando aqui novamente que não é o motivo certo para entrar no jornalismo, mas...). Não me vejo apenas como editor, cortando o texto dos outros, assassinando seus parágrafos, sangrando as letras, as idéias morrendo.


É meio exagerado, mas talvez por isso eu não me torne um bom editor. Ou não cortaria o texto do colega, ou acabaria reescrevendo todo, para assim poder exercer a escrita novamente.


Caberia a mim a função de repórter mesmo. Apurar uma matéria, escrevê-la da melhor forma possível, pensando na estrutura, no enfoque, nos objetivos e em sua essência. Depois o editor a revisaria, cortando alguns pedaços, assassinando certas partes do meu rebento.


Ou posso me tornar repórter e editor de mim mesmo. Com uma revista só feita por mim. Ou um site. Só comigo e comigo mesmo. Mas dessa forma eu que acabaria enlouquecendo - e me assassinando.


Ahá.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ela é Dançarina




"Ou quando eu Lexotan
É quando ela Reativina..."
 
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