quarta-feira, 12 de novembro de 2008
De volta ao espelho
domingo, 9 de novembro de 2008
Epifanias - De manhã
Foi num acidente que tudo começou, tal como muitas coisas nesse mundo, a partir do erro, dos defeitos é que se chega à perfeição. Mas eu nunca havia pensado assim, não até aquele momento. Agora é como se tudo estivesse claro. Minha mãe ligara às sete e pouco da manhã, cedo, eu não tinha trabalho, era uma sexta feira fria e chuvosa, como se vê de vez em quando. Não queria me levantar, mas o barulho do telefone incomodava fortemente, lutei contra a cama, e quando venci os lençóis, o travesseiro me nocauteou pelas costas. Sempre traiçoeiro, o sono brinca com a gente. Enfim, não era bem isso que queria falar, perdoem as minhas palavras incultas, mas meu modo de escrever apenas reflete a minha capacidade de ver o mundo: pelas entrelinhas. Acabei driblando toda a cama, dando um passeio pelo quarto e vagarosamente atendi ao maldito telefone, como um cachorro manso, sim, era como eu me sentia, um cachorro manso. E com frio. Nenhum pedido faria eu me mover de casa, porém eu ainda não sabia que era a minha mãe. “Alô”, respondi minguadamente, com a voz fraca de quem acabara de abrir os olhos. Mais ordenando do que respondendo, ela disse: “Renato olha só poderia vir aqui em casa? Estou precisando de ajuda sua irmã tem que ir para a escola e seu pai viajou ontem à noite a trabalho Renato preciso que você leve – a para escola com o seu carro”. Assim mesmo, disparando tudo, como se fosse uma metralhadora, sempre nervosa, nunca dizia nada pausadamente. Minha mãe era como um desses diretores de colégios, não falava muito, mas quando abria a boca sempre soava como uma ordem. Respondi que sim, estava indo, tinha só que tomar um banho, vestir uma roupa e já iria puxar o carro...Não pude terminar a sonolenta explicação, ela atrapalhou o meu raciocínio falando bravamente: “tomar banho nada, vem pra cá agora você não mora tão longe vista uma roupa qualquer e venha sua irmã não pode se atrasar hoje.” Para não entrar em discussões que não levariam a nada mesmo, pois o carro tinha sido um presente dela e do pai, e o aluguel do meu primeiro apartamento eles ajudavam a pagar, resolvi apenas concordar e vestir a roupa de ontem mesmo, quando chegasse em casa novamente, aí sim tomaria banho, comeria e pensaria no que fazer.
(..prossegue..)
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Teoria número dez: sobre os instantes definitivos. (medos insuportáveis)
Obstáculo 10
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Ainda sem nome
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Com uma pequena ajudinha dos meus inimigos
domingo, 19 de outubro de 2008
Pessoas
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Parabéns
Não foi um encontro casual, já estava combinado, eles, enfim, se falariam pessoalmente. O céu já ensaiava uma pequena chuva: a camada de água serviria para cobrir os transeuntes. E, de certa forma, cobri-los também, enrolá-los em uma nuvem mútua de um sentimento que estava para nascer. Ônibus, Universidade, debate e mão, nessa ordem mesmo, as palavras e a conversa fluíam. Interessante ouvi-la, interessante ouvi-lo. Não estavam com receio, mas o sagrado momento da união interpessoal não chegava, parecia sempre beirar, estar preste a acontecer, como um navio que se desloca antes de enfim, aportar. E o instante chegaria perto da despedida:
- Por que você resolveu me conhecer afinal? - ela pergunta, meio que rindo, buscando a verdade nas entrelinhas.
- A gente tem que ir atrás do que nos interessa... – ele respondeu em meio tom, cabeça baixo, olhando e desviando dos seus olhos.
Então pequenos risos tímidos aconteceram, alguns ônibus que a levariam embora passaram, mas ela ainda ficava, como se esperasse o momento certo (mais tarde ela revelaria que era isso mesmo). Foi então que ao se despedir para pegar o transporte coletivo final, enquanto trocavam beijos no rosto, a boca foi se desviando e encaminhando-se como se seguisse uma trilha para o outro lábio. E então eles se chocaram, criando outras oportunidades, outros caminhos, outros mundos. E mesmo que chovesse pelos corpos, e mesmo que se o sol chocasse na terra, nada poderia parar aquela sensação.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Contato
-Sua mãe, quando criança tinha esses seus olhos...
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Crescendo (ou como eu queria que isso não acontecesse)
É, o tempo passa Rafael, o tempo realmente voa.